Dr. João Agripino da Silva
Apoiador ou protagonista, nas memoráveis
campanhas políticas, sempre tive consciência da relevância do desempenho
social, político ou religioso de inumeráveis famílias tradicionais
nova-cruzenses, inclusive de minha própria família paterna.
Além de comerciante (estabelecimento
comercial vizinho à residência e comércio de Seu Arruda — Antônio Arruda Câmara), o
patriarca Fortunato José Gonçalves foi um dos construtores, nas décadas de 20 e
de 30 do século passado (República Velha), desta encantadora cidade de Nova
Cruz.
Anísio Gonçalves da Silva (Anísio Fortunato)
e Ismerino Gonçalves da Silva, filhos de Miguel Gonçalves da Silva, este mais
conhecido por Miguel Fortunato (primogênito) participaram ativamente da
política do Município. Anísio, ao lado de Aguinaldo Rosendo, Domício Vicente da
Costa e Abílio Alves de Lima, um dos fundadores, em Nova Cruz, do Movimento
Democrático Brasileiro —
MDB, partido que fez ecoar o grito libertário contra os desvios de rota do
regime militar, tudo sob a brava liderança do deputado federal Odilon Ribeiro
Coutinho, cujos discursos inflamavam multidões em meio das quais estava quem
escreve estas linhas.
Não se pode esquecer a figura de José
Gonçalves Sobrinho, filho de Agripino Gonçalves da Silva, este o filho de
Fortunato mais presente em Nova Cruz (agropecuária e laticínio). José, candidato
a vice-prefeito na chapa de Targino Pereira (primeira campanha), permitiu que
Targino, depois de abandonar seus antigos apoiadores, fosse vitorioso na
segunda.
Eleito Antônio (Gonçalves) Gomes
vereador, filho de Jorge Gomes e de Noêmia Gonçalves da Silva, esta neta e ele,
Antônio, bisneto de Fortunato, surge a redação de alguns projetos de lei
municipais para resgatar a memória do ancestral ilustre — Fortunato José Gonçalves
(nome de rua) e para homenagear personalidades outras merecedoras da gratidão
da municipalidade.
É o caso da denominação de Avenida
Presidente Juscelino Kubitschek de Oliveira dado a todo o percurso da antiga
linha férrea que cortava a cidade, do Catolé, hoje Bairro de Santa Maria
Goretti, até a Rua do Cemitério, no limite do Rio Grande do Norte com a
Paraíba.
Antônio (Gonçalves) Gomes presidente
do poder legislativo municipal, disse-lhe ser interessante que a edilidade
patrocinasse estudo ou pesquisa sobre a participação de famílias nova-cruzenses
que, de uma forma ou de outra, houvessem estado em evidência no Município a fim
de que se pudesse, ao homenageá-las ou alguns dos seus membros, colocar, abaixo
do nome, sucinta nota sobre o significado da homenagem.
Por exemplo: foi o presidente Juscelino que
unificou as estradas de ferro “Sampaio Correa” (Nova Cruz, Natal, São Rafael –
RN), e a “Great Western” (Nova Cruz,
João Pessoa, Recife), transformando ambas as vias férreas na Rede Ferroviária
Federal S.A. – R.F.F.S.A, dando-lhe melhor desempenho no transporte de pessoas
e de carga, o que muito beneficiou Nova Cruz. Foi aí que as potentes
locomotivas a diesel substituíram as marias-fumaças.
O professor Pedro Marinho acabara de publicar
seu livro sobre as campanhas políticas em Nova Cruz — Nova Cruz: retrato de uma
história. Seria ele a pessoa ideal para fazer o trabalho de pesquisa.
O presidente da Câmara
contra-argumentou: embora a ideia seja boa, não posso aceitá-la; o professor é
meu adversário.
É, disse-lhe: cada um tem o direito
de agir segundo suas convicções. A ideia morreu aí.
De imediato, vem a recordação de
João Agripino, líder da oposição no combate à ditadura de Getúlio. No Governo
da Paraíba, prestigiava os correligionários, mas, quando se mostravam
incompetentes, nomeava, para substituí-los, até adversários, desde que se
mostrassem preparados para o exercício do cargo.
Anos depois, a surpresa — telefonema de um jovem
escritor — Gustavo José Barbosa. Lera
dois trabalhos da bibliografia de Nova Cruz: “Desígnios da Providência” e o “O
Nova-cruzense do Século XX”. Gostaria de obter os respectivos autógrafos
(2022). Foi uma honra conhecê-lo. Passou a comparecer às reuniões familiares
anuais da “Fazenda Barreiras”, esta constituída por Fortunato José Gonçalves
ainda sob D. Pedro II.
E quem é Gustavo José Barbosa?
Mestre em agroecologia, extensionista
rural da Empresa Paraibana de Pesquisa, Extensão Rural e Regularização
Fundiária – EMPAER; sobretudo genuinamente nova-cruzense e autor da biografia
de outro nova-cruzense não menos ilustre – o professor Rivaldo d´ Oliveira, de
quem (que pena!) não me aproximei, ainda que amigo do seu irmão Reginaldo d´
Oliveira, em Nova Cruz, e tendo morado na mesma rua que ele em Natal (Rua
Otávio Lamartine), no bairro do Tirol.
Genuinamente nova-cruzense: seus
ancestrais — agricultores nas
localidades do Gravatá, Xique-Xique, Bastiões e Lapa, no Município de Nova
Cruz. Ex-aluno (ensino fundamental) do Colégio Nossa Senhora do Carmo, árvore
frondosa da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição no início do profícuo
pastoreio do inolvidável Monsenhor Pedro Rebouças de Moura, dirigido pelas
irmãs Franciscanas do Bom Conselho (Madre Calvário, Madre Aurora, de saudosa
memória, e Irmã Tarcísia —
Carmelita). Ex-aluno da Escola Agrícola de Jundiaí, onde pontificara o
professor Rivaldo d´ Oliveira; nascido aos 12 de novembro de 1982, na Rua
Nestor Marinho na cidade de Nova Cruz. Essa rua fica por trás da 13 de Maio,
berço de outro venerando nova-cruzense — D. Antônio Soares Costa,
prelado ilustre de que a cidade deve orgulhar-se. Como se vê, sob o firmamento
abençoado da 13 de Maio, surgiram duas estrelas de primeira grandeza: D. Costa
(religioso) e Barbosa (literato).
Analisando a ascendência de Maria das Neves
Barbosa, mãe do autor, observa-se que José Barbosa da Silva e Luiza Maria da
Conceição, bisavós maternos de Gustavo, nas décadas de 1920 e 1930, faziam
agricultura familiar na comunidade de Bom Sucesso, contígua à Fazenda
Barreiras, o que faz vislumbrar longínquo parentesco familiar entre Gustavo
José Barbosa e o professor Gilvan Pio Ribeiro, também ex-aluno da Escola
Agrícola de Jundiaí, hoje professor emérito da Universidade Federal Rural de
Pernambuco.
Ora, o pai do professor Gilvan, João Paulo
Marcolino Ribeiro, casado com Maria Pio Gonçalves, neta de Fortunato, integrava
a família Marcolino Ribeiro, proprietária da localidade de Bom Sucesso. No
passado, nossas famílias eram próximas: mais um traço emotivo para justificar a
honra de elaborar o prefácio desta significativa obra — Nova Cruz e a República
Velha, delicioso repertório de fatos desconhecidos da maioria dos estudiosos da
antiga “Urtigal”, “Anta Esfolada” ou da moderna Nova Cruz desde a Proclamação
da República (1889) até 1930.
Com este trabalho magnífico, a ideia
sepultada pelo desinteresse do poder legislativo municipal, sem razão
plausível, ressurge, qual fênix mitológica, das cinzas da memória para
satisfação dos que amam Nova Cruz.
João Pessoa, 13 de abril de 2025.

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