DCL

“As pessoas de Nova Cruz, todas elas são para mim paradas no tempo, como por trás de um espelho, mais ainda as que se foram, são como um mundo encantado em que vejo acolhimento, paz e boa saudade” Dr Diógenes da Cunha Lima

José Teixeira da Costa (1901-1972)

 


Nasceu em Nova Cruz, filho de José Teixeira da Costa (1871-1917) e D. Maria Cândida de Menezes Lisboa.

José (o2º com esse nome ) faleceu em Nova Cruz e foi sepultado no Cemitério da cidade.

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O primeiro agente cultural de Nova Cruz

Membro (pelo lado materno)de uma das familias ilustres da cidade - os Lisboa- José Teixeira da Costa, conhecido apenas como "Zé Teixeira" ,era o artista mais atuante de Nova Cruz. Quem, com mais de 40 anos não lembra dos eventos produzidos por ele, aqui em nossa cidade? Do sagrado ao profano, ele transitava livremente e de forma a impressionar a todos pela beleza e sensibilidade com que levava a termo seus objetivos festivos. Exigente, nenhum detalhe escapava à sua observação.

O que mais marcou na memória dos novacruzenses foi o seu trabalho de carnavalesco. Zé Teixeira foi o responsável pelos primeiros grandes carnavais de rua da cidade. O "Bloco de Zé Teixeira" era o mais famoso. Formado unicamente por rapazes, chamava a atenção não só pelo luxo das fantasias de cetim, mas pela animação regada a jatos de lança-perfume e ao som de orquestra de metais que percorria as ruas da cidade arrastando foliões indecisos. A cada tarde, o bloco "assaltava" uma residência onde era ansiosamente esperado e oferecido bebidas e petiscos dos mais variados, os quais a rapaziada consumia estusiasmada pelo clima momesco.

No mês de maio, seu trabalho era dedicado às festas sacras. Passava dias e às vezes noites ornamentando os altares da Matriz para as noites consagradas à Maria. Confeccionava ele mesmo os adereços das crianças que seriam os anjos da noite. Começava com um anjinho no 1º de maio e ia aumentando a cada noite até a noite final com 31 anjos ocupando o altar-mor da igreja.

No mês de junho, encantava a criançada com o seu "São João na Roça": espécie de maquete (tipo o presépio natalino) com o tema junino, onde pacientemente armava todo o cenário de um arraial junino na sala de sua residência. A criançada formava fila na porta de sua casa para ver as casinhas da fazenda, a igrejinha com o padre na porta, o carro de bois com os noivos à caminho, a quadrilha no pátio da casa grande, o pau de sebo, o quebra pote, as advinhações na fogueira...Tudo composto por bonequinhas de pano caracterizadas. A meninada observava tudo encantada!

No mês de dezembro, o reveillon com certeza ficava a cargo de Zé Teixeira! Formava uma equipe de auxiliares e armava e ornamentava a "barraca" da festa do dia 31/12, criava pequenas cenas teatrais protagonizadas por moças da sociedade que encarnavam os papéis de sereia, pescador que cantavam enamorados, cenas biblicas, etc. Era um espetáculo de som,cores e imagens que embevecia principalmente o pessoal da zona rural que comparecia às imediações da Matriz à espera da missa do galo.

Dono de uma criatividade singular, numa época em que a tecnologia era totalmente artesanal, Zé Teixeira permanece na memória dos que o conheceram e se encantaram com seu trabalho; e atiçará a imaginação da geração que apenas ouve falar de seu grande talento.

Fonte: Donzinha Costa
Acervo fotográfico: Dalva Manso
Texto: Ilvaíta Mª Costa

https://palaciolauroarrudacamara.blogspot.com/2008/07/o-primeiro-agente-cultural-de-nova-cruz.html

31/08/2025

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