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O legado de Dom Costa
Valério Mesquita
Tomei um susto quando escutei que Dom Antônio Soares Costa, bispo de Caruaru, havia falecido aos 71 anos de idade, em 07 de junho de 2003. Conheci-o nos albores dos anos cinquenta como capelão do Colégio Marista de Natal. Ele e Dom Heitor de Araújo Sales foram responsáveis pela formação espiritual e religiosa de várias gerações que estudaram no velho colégio fundado pelo padre Champagnat.
Relembro, dessa época, marcada pela influência e pela bonomia do Padre Costa, as figuras de Cláudio Emerenciano, João Faustino, José Agripino Maia, Cassiano Arruda, Luís Antônio Porpino, Ney Lopes de Souza, Nélio Dias, Iberê Ferreira de Souza, Leônidas Ferreira de Paula, Arimar França, Gustavo Freire Ribeiro, Edgar Dantas, José Tarcísio Caldas, Hamilton de Sá Dantas, Gilson e Luciano Barros, Fernando Bezerra, Astor Nina de Carvalho, Roosevelt Garcia, Jair Dantas Ribeiro, Maurício Ribeiro Dantas, Silvio Procópio, Antônio de Pádua Cantídio, Agamenon Caldas, Luís Antônio Vidal, Aristides e Luciano Porpino, Moacyr Cirne, Thiago Gadelha, Luiz Gonzaga Tavares, Gerson Dumaresq, Múcio Galvão e Luís Sérgio de Medeiros (Lula), Zeca Passos, Cleiber Furtado, Ney Dias, Hugo e Fernando Paiva, Ricardo, Rogério e Cláudio Freire, além de tantos outros que a memória não me acudia além da emoção da perda intempestiva que me embaraça naquele dia triste.
Os seus pais residiam numa casa de esquina na Cidade Alta, entre a Professor Zuza e a Gonçalves Ledo. Cláudio Emerenciano e eu morávamos próximos. Sempre que era possível o visitávamos e a conversa se estendia com os seus pais e os irmãos Airton e Aderbal.
Não preciso aqui declinar as suas honrarias religiosas e os seus feitos imorredouros em favor da Arquidiocese de Natal (iniciou a construção da nova Catedral), desde como padre, cônego, monsenhor e bispo auxiliar até chegar ao Bispado de Caruaru, Pernambuco. O clero nordestino ficou de luto e, principalmente, o Rio Grande do Norte.
Filho de Nova Cruz, Dom Costa deixou um exemplo de simplicidade, humildade e de suprema dedicação à Igreja de Cristo. Os seus sermões emocionados sempre realçaram a devoção especial que dedicava à Maria Santíssima, desde o púlpito do Colégio Marista, passando por todas as capelas, igrejas e catedrais de sua vida. O culto à Virgem Maria sempre foi uma tônica votiva e alimentadora de sua fé. O filósofo Sócrates disse que “sem o pudor do mal e o zelo do bem, ninguém haverá de construir obras permanentes”.
O traço dominante do apostolado desse servo de Deus foi o de preceptor da mocidade, de gerações de jovens que escolheram caminhos escudados no ensinamento recebido. Aqueles que hoje venceram, ouviram o padre Costa, filho de um simples barbeiro, hão de lembrá-lo, na oração contrita, devolvendo-lhe as mesmas preces e bênçãos que derramou várias vezes, sobre nossas cabeças, pedindo a Deus para perdoar os nossos pecados e proteger os caminhos do futuro.
Relembro-o em paz, Dom Costa, meu velho e querido amigo.
https://tribunadonorte.com.br/colunas/o-legado-de-dom-costa/
03/01/2026

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